Catarata: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento
Entre as diversas doenças que podem afetar nossos olhos, temos a catarata. Uma das principais causas de cegueira reversível no Brasil. Ou seja, a catarata quando não tratada adequadamente pode levar à cegueira, embora seja possível reverter a perda da visão com cirurgia.
O que é catarata?
Com o passar do tempo e a idade avançando, naturalmente dentro dos nossos olhos também ocorre um processo natural de envelhecimento que é chamado de Presbiopia. Ou seja, dentro do nosso olho nos temos o cristalino, que é considerado a lente dos nossos olhos. Nesse processo ocorre a perda de elasticidade do cristalino. É algo que não tem como evitar e que 100% das pessoas sentiram esse processo.
A catarata é como se fosse a fase seguinte desse processo. A lente natural, além de perder a elasticidade, torna-se opaca. Ou seja, a catarata é caracterizada pela perda progressiva da transparência do cristalino. Essa opacificação atrapalha a entrada de luz nos olhos, acarretando diminuição da visão e, consequentemente, acaba tornando mais difíceis tarefas como ler um livro ou dirigir um carro.
Mas o que é cristalino? Ele possui função importante na formação da imagem na retina. O cristalino é a lente dos olhos. Inicialmente é transparente e que permite a focagem dos objetos tanto de longe quanto de perto, chamado de acomodação. Qualquer alteração do cristalino, consequentemente altera a formação das imagens na retina e, portanto, na visão.
Aos poucos a visão fica embaçada, como se houvesse uma névoa diante dos olhos, até que a pessoa passa a enxergar apenas vultos e luzes, podendo ocorrer a cegueira se não diagnosticado e tratado. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a catarata é responsável por 47,8% dos casos de cegueira no mundo, acometendo principalmente a população idosa.

Tipos de catarata
Na maioria das vezes, a doença decorre do processo natural de envelhecimento, afetando, principalmente, pessoas com mais de 50 anos. Contudo, a catarata não é um problema de visão que atinge apenas idosos. Fatores como hereditariedade, traumas oculares, diabete e uso de corticoides também podem fazer com que o paciente desenvolva a doença.
Segundo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), “inúmeros fatores de risco podem provocar ou acelerar o aparecimento de catarata, incluindo medicamentos (esteroides); substâncias tóxicas (nicotina); doenças metabólicas (diabete mellitus, galactosemia, hipocalcemia, hipertiroidismo, doenças renais); trauma; radiações (UV, raio-X e outras); doença ocular (alta miopia, uveíte, pseudoexfoliação); cirurgia intraocular prévia (fístula antiglaucomatosa, vitrectomia posterior); infecção durante a gravidez (toxoplasmose, rubéola) e fatores nutricionais (desnutrição).”.
Ainda segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a catarata pode ser classificada em:
“Catarata congênita: presente ao nascimento;
Catarata secundária: aparece secundariamente, devido a fatores variados, tanto oculares (uveítes, tumores malignos intraoculares, glaucoma, descolamento de retina) como sistêmicos. No último caso, pode estar associada a traumatismos, moléstias endócrinas (diabetes mellitus, hipoparatireoidismo), causas tóxicas (corticoides tópicos e sistêmicos, cobre e ferro mióticos), exposição a radiações actínicas (infravermelho, raios X), traumatismos elétricos, entre outras.
Catarata senil: opacidade do cristalino em consequência de alterações bioquímicas relacionadas à idade. Aproximadamente 85% das cataratas são classificadas como senis, com maior incidência na população acima de 50 anos. Nesses casos, não é considerada uma doença, mas um processo normal de envelhecimento.”.
Sintomas:
Os sintomas da catarata não surgem logo de início da doença, por isso ela é considerada um mau silencioso. Ou seja, começam a aparecer de forma progressiva com sintomas leves de início. Conforme o problema avança é que a pessoa começa a sentir incômodo e dificuldade para enxergar. Os seguintes sintomas são característicos da catarata:
- Diminuição da acuidade visual: dificuldade de enxergar;
- Visão embaçada/nublada/esfumaçada/confusa/turva;
- Visão dupla;
- Dificuldade para ler, dirigir e andar;
- Sensibilidade à luz;
- Alteração da percepção de cores;
- Mudanças frequentes no grau dos óculos;
- Visão com brilho de lâmpadas ou do sol;
- Dificuldade em fazer as atividades diárias por causa de problemas de visão;
- Escurecimento da visão;
Diagnóstico:
Apenas em consulta com o oftalmologista. A catarata é detectada quando o especialista examina a estrutura interna do olho, ele verificará se o cristalino possui alguma lesão.
Tratamento:
Quando se fala em tratamento para catarata não há nenhum medicamento em forma de comprimido ou algum colírio. Em relação aos óculos, também já não são eficazes, pois de toda forma a opacidade existente interferirá na acuidade visual. Sendo assim, o único tratamento é a cirurgia de catarata.
A cirurgia de catara é simples, rápida, segura e praticamente sem dores na recuperação. A operação é realizada com anestesia local e consiste na substituição do cristalino opacificado por uma lente artificial chamada de lente intraocular (LIO). Essa lente é feita sob medida, conforme a curvatura da córnea de cada paciente. Essa lente cumprirá a função do cristalino e em poucos dias o paciente tem a sua visão recuperada, voltando a enxergar normalmente.
Depois de realizada a cirurgia, o paciente pode ir para a casa no mesmo dia, mas deve seguir as recomendações do oftalmologista, como, por exemplo: evitar movimentos bruscos e inclinação da cabeça, e aplicar os colírios e pomadas receitados para afastar o risco de inflamação. Em casos onde a catarata pode estar presente também no outro olho, a cirurgia para remoção também será agendada num outro momento.
Mesmo realizando a cirurgia, em alguns casos, o uso de óculos ainda é necessário após o procedimento. Eles são indicados em casos de correção para presbiopia. São óculos multifocais, que corrigem o campo de visão para perto, intermediário e longe de forma gradual.